Pedras naturais: Granitos e mármores

Rochas ornamentais demandam cuidados do profissional especificador desde a seleção dos produtos até a entrega da obra.

O segmento de acabamentos naturais é imenso e possui vasta gama de opções de cores e diversas versões de texturas. Este tema será objeto de diversos artigos nesta coluna.

A especificação de rochas ornamentais para revestimentos é um trabalho diferenciado, que exige do profissional especificador conhecimentos sobre as propriedades estéticas e mecânicas do produto utilizado, os tratamentos indicados para cada tipo de material e os corretos procedimentos de execução. Dessa forma, o projeto não apenas terá um acabamento de boa qualidade na entrega da obra para o cliente, mas manterá essas características por longos anos.

Mármores e granitos são os dois principais grupos de rochas ornamentais. Cada um possui uma composição mineral particular e, portanto, os graus de resistência à abrasão e a ataques químicos são bastante diferentes. Constituídos principalmente de minerais carbonáticos, os mármores apresentam menor resistência à abrasão. Por isso, sua aplicação em pisos de alto tráfego, por exemplo, não é indicada – em casos extremos, podem até apresentar redução de espessura ao longo do tempo devido à grande solicitação. O uso em tampos de pias e mesas de cozinha também não é aconselhado, pois são porosos e sensíveis à ação de substâncias ácidas, como as encontradas nos sucos de frutas cítricas.  Em paredes e pisos internos de baixo tráfego, contudo, o material pode ser aplicado com mais segurança. O mármore também pode ser especificado em fachadas e pisos externos, sempre considerando, porém, a sua eventual perda de brilho pela ação da chuva e operações inadequadas de limpeza. Atualmente é aplicado em sistemas de fachadas ventiladas, com êxito.

Os minerais silicáticos que compõem os granitos conferem ao material maior resistência à abrasão e aos ataques químicos, credenciando-o para a aplicação em ambientes mais exigentes. Por isso, os granitos são amplamente utilizados tanto em ambientes internos quanto externos de edifícios comerciais e corporativos, onde o tráfego é intenso.

Especificação

A resistência dessas rochas às diferentes solicitações de serviço – sobretudo flexão, compressão e impacto – pode ser avaliada com ensaios específicos. “Por isso, sempre que um material for selecionado, o projetista deve exigir que seja fornecidos resultados dos ensaios laboratoriais.

Com a retração da demanda de mercados consumidores externos por conta da crise econômica mundial, a indústria do setor se volta para o mercado interno oferecendo novas opções de rochas ornamentais, antes apenas exportadas. É o caso dos paginados exóticos e dos translúcidos.

Os mármores predominantes no Brasil são os brancos (absolutos ou de fundo bege ou azul) e os travertinos (Bege Bahia). Existem centenas de variedades de granitos, com grande variação de cor, de granulação e de textura. Para o profissional conhecer melhor as variedades de rochas ornamentais disponíveis no País, indico como referência o catálogo disponível no site da Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais (www.abirochas.com.br).

Instalação

Antes de instalar as placas convém realizar uma pré-montagem, a fim de escolher o posicionamento mais adequado de cada uma. A colocação deve seguir o sentido dos veios e ser a mais uniforme possível.

Para os pisos, é comum a aplicação de ladrilhos, com espessura de 1 cm a 3 cm e paginados com dimensões em torno de 1,50 m x 2,80 m. Para o assentamento são usados cimento-cola ou massa de cimento e areia feita na obra. Antes de fazer a mistura, que rende 12 kg/m², é importante peneirar a areia, evitando que fragmentos de ferro oxidem as pedras. Para revestir pisos de cozinhas, banheiros e lavabos, o contra piso deve estar impermeabilizado e nivelado, se o assentamento for com argamassa.

Recomenda-se assentar os mármores brancos com argamassa branca do tipo ACIII, para evitar o surgimento de manchas ou eflorescências no material. Já alguns granitos – amarelos de um modo geral – não devem ser assentados com essa argamassa por possuírem microfissuras e estarem sujeitos a eflorescências. De maneira geral, o granito será melhor assentado com uma massa tipo “farofa” de cimento e areia média, no traço 1:5, por não ser seca nem úmida demais.

O comportamento estável quanto à dilatação e à deformação das rochas permite usar juntas secas ou rejuntes de pequena espessura. Uma dica é fazer juntas com cimento branco ou cimento pigmentado com pó xadrez, na cor aproximada da pedra. O ideal é que o rejunte seja executado com espátula. Com essa etapa concluída, deve-se aguardar mais um dia para a secagem total e, em seguida, realizar a limpeza. A proteção do piso com lona plástica transparente ou plástica bolha é muito importante, principalmente se ainda houver outros serviços a serem executados.

Tratamento

A maioria das patologias em rochas está associada à presença de água, sob a forma de infiltrações, umidade superficial, excesso de água no assentamento e manutenção inadequada. Em muitos casos, a aplicação de hidrorrepelentes inibe a ocorrência de várias patologias. Existe hoje uma gama de resinas que aumentam a resistência das rochas e permitem sua utilização em locais em que a especificação normalmente não seria recomendada. O processo de aplicação de resina mais moderno e eficaz atualmente é a câmara de vácuo. Por esse método, bombas extraem todo o ar contido nas fissuras e poros da chapa posicionada em uma câmara de vácuo. A resina é então aplicada, fluindo pela superfície e ocupando os espaços deixados pelo ar retirado. Na sequência, a chapa segue para um forno que faz a polimerização da resina. Ao fim desses processos, obtém-se um material sem poros e com fissuras consolidadas, que proporcionará maior brilho ao polimento.

 

Cuidados no armazenamento

Placas e ladrilhos não devem ser armazenados diretamente sobre o solo, mas acomodados lado a lado de pé sobre taliscas de madeira, em local ventilado e coberto
Bancadas normalmente são entregues na obra envoltas em filme de PVC, que deve ser mantido até o acabamento da pintura, após o assentamento, para evitar manchas na superfície.

Fontes:

http://au.pini.com.br/arquitetura-urbanismo/193/artigo169514-1.aspx;

http://www.mme.gov.br/documents/1138775/1256650/P23_RT33_Perfil_de_Rochas_Ornamentais_e_de_Revestimento.pdf/d6f58aa1-b01a-4da1-a178-e6052b2fc8e5